quarta-feira, 15 de julho de 2009

O relatório OCDE já chegou

Foi divulgado hoje o Relatório da OCDE sobre a avaliação de desempenho docente. As conclusões deixam mal a ministra da educação. O relatório da OCDE critica a associação entre os resultados dos alunos e a avaliação de desempenho dos docentes bem como a avaliação feita por pares com consequências na progressão da carreira. Ora, essas são as duas características centrais do modelo imposto pelo decreto regulamentar 2/2008 e que mais contestação provocaram entre os professores. O decreto regulamentar 1-A/2009, que impôs o versão simplex, também não sai incólume do estudo da OCDE, uma vez que o relatório manifesta uma clara oposição a que a avaliação de desempenho de tipo quantitativo e com consequências para a progressão na carreira seja feita pelos directores e colegas a quem foram atribuídas funções de avaliação.
Nas recomendações, o Relatório da OCDE aponta parta a necessidade de haver uma avaliação de tipo qualitativo e meramente formativa, feita pelos directores, e uma avaliação com incidência na progressão na carreira docente, feita por elementos exteriores à escola e sem qualquer relação funcional com os docentes avaliados. A OCDE aconselha que os avaliadores externos sejam especialistas certificados em avaliação de desempenho e que adoptem critérios uniformes para todas as escolas do país.
A FNE reagiu ao Relatório da OCDE pela voz de João Dias da Silva, que afirmou o total isolamento da ministra da educação e a necessidade de construir um novo modelo que não padeça dos males apontados no estudo da OCDE. João Dias da Silva acrescentou que, em matéria de avaliação de desempenho, foram dois anos completamente perdidos graças à teimosia da ministra da educação.
Interrogada pelos jornalistas à saída da sessão de apresentação do Relatório da OCDE, a ministra limitou-se a afirmar que não era tempo de tomar decisões.
Fonte: blogue Profavaliação

quinta-feira, 5 de março de 2009

Big brother nas escolas inglesas

A obsessão com a avaliação do desempenho dos professores está a enlouquecer os governantes. É isso que está a acontecer na Grã Bretanha. Quanto mais ineficazes são os governos para terminarem com o agravamento das desigualdades sociais e da pobreza, mais vêem nos professores o bode expiatório conveniente para acalmarem a opinião pública e desviarem a atenção dos eleitores dos verdadeiros culpados.
O Governo de Gordon Brown mandou instalar câmaras de vídeo, com visão de 360 graus, para espiarem o trabalho dos professores dentro da sala de aula. Algumas câmaras de vídeo são tão poderosas que conseguem dar a ver as palavras que os alunos escrevem nos cadernos. As melhores aulas são passadas para DVD e servem de modelo em workshops de formação contínua. Os sindicatos de professores ficaram furiosos com mais uma medida que exerce uma pressão intolerável sobre os professores. Alguns especialistas em supervisão e avaliação de desempenho já divulgaram as suas reservas face ao método utilizado. Outros afirmam que é preferível filmar a aula do que ter a presença de um supervisor na sala. E há até quem diga que gosta de ser filmado enquanto dá aulas. Justificação: o visionamento do vídeo permite corrigir práticas erradas. E se Sócrates se lembra de copiar esta medida?

Nota: encontrado no blogue profavaliação

Marilu